quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Da esquerda para direita: Rafael (guitarrista), Pablo (guitarrista e vocalista) e Diego (baterista)

Nooma, um nomem aparentemente incomum, vem do grego pneuma que significa “sopro de vida”. Essa explicação foi feita pelo guitarrista Rafael, integrante da banda que recebe o mesmo nome, para o blog Rock for Jesus (você pode conferir aqui essa entrevista). Curiosamente é essa a sensação que se tem após ouvir o som da banda carioca formada por Pablo Teixeira (guitarra e vocal), Rafael (Guitarra) e Diego(bateria), especificamente do primeiro trabalho do trio: “Nooma” (2015), um EP produzido pelo Duda Andrade, contendo cinco faixas. A sensação de vitalidade e injeção de vida é carregada não apenas nas letras que versam sobre devoção e adoração, com estruturas essenciais de salmos modernos, mas também pela atmosfera etérea de post-rock em quase todas as músicas.
Com influências claras em timbres de guitarra de bandas como Explosions in the Sky, Nooma nos apresenta um EP coeso que propõe uma linguagem e lírica de fuga do que é palpável e físico para um universo de ideal, o metafísico, mas com uma clara evidência de ainda estar com os pés no chão. É esperança, é alívio, mas antes de tudo é resgate do céu para a terra, a partir das angústias terrenas.
“Dos montes”, inicia esse pedido de socorro. É a partir da angústia do salmista moderno, que evoca o salmo 121, que a viagem do ep começa. Apesar dos conflitos internos de não haver respostas no aqui, os arranjos delicados e a introdução mais ou menos extensa de calmaria, preparam o ouvinte para a fé de saber que o clamor será ouvido. Da fé nasce a esperança;da esperança nasce o coração grato, pronto para agradecer apesar de não ver as respostas concretas. E isso é a adoração expressa nas estrofes: “eu elevo os meus olhos/ para os montes/ de onde me virá / o socorro / o meu socorro vem/ do senhor / aleluia, aleluia” e na bonita certeza que é o ápice da canção em grito e progressão sonora: “na minha angústia/ eu clamo ao senhor / e Ele me ouve”.
Capa do EP autointitulado (2015).

Em seguida temos a belíssima “Onde estou”, com uma linda e longa introdução de cordas e violão, seguida de bateria e riffs de guitarras. Aqui a interpretação e efeitos de reverb na voz de Pablo, encarnam o cerne da música que é o conflito entre estar e estar. Enquanto enfrenta os dias maus, a voz lírica, apesar das inconstâncias dos dias, não abala a fé, por entender que seu relacionamento com Deus não se baseia em circunstâncias, mas no lugar onde se está, em coração e alma. Os momentos finais em que a frase “eu estou em Ti” é repetida diversas vezes, traz não apenas a certeza de que as coisas terminarão bem, pela companhia dEle, mas a decisão de mesmo em angústia e inconstância, querer estar nEle.
Geralmente uma outro é continuação da canção anterior, e “Outro”, terceira faixa,  surge como essa continuidade de “Onde estou”, mas diferente desta, a canção se contrapõe ao sufoco proposital, apesar de esperançoso e insere um ambiente de alívio a partir de uma instrumentação crescente e melodicamente etérea, como se a fé militante da canção anterior tivesse produzido o estado em que se propunha: a paz de estar em Deus.


Com marcações de bateria e vocais sobrepostos, juntamente com os riffs oitavados de guitarras, “Mais alto”, quarta faixa do ep, ao contrário das outras, não constrói um universo sonoro de fuga esperançosa, mas algo perto do grito de guerra, por ter como base acordes menores. Apesar disso, liricamente, não há menção aos momentos difíceis ou a qualquer obstáculo terreno, tudo é centrado na conversa do ideal, o plano superior. O caminho percorrido até aqui faz dessa música, a começar pelo título, um lugar diferente das outras por já estar neste lugar, que não é físico, mas espiritual. Um lugar mais alto. Este lugar é o da certeza do amor constante e insistente de Deus, que faz com que todas os outros detalhes sejam dissipados.
Iniciando com parte da estrofe (“aleluia, aleluia...”) da primeira música (“Dos montes”), a última música, “Amanheceu”, instrumental, indica o estado de completa paz espiritual como destino de toda a jornada construída durante a narrativa do EP. Aqui os singelos acordes e efeitos reverb de guitarra, juntamente com todo clima causado pelos pratos sutis do baterista Diego, nos transportam para este lugar de paz nos primeiros minutos da canção para logo após explodir sonoramente em uma sequência de acordes e ritmo que remetem a um frenesi de alegria que nasce da esperança: sensação de que realmente o sol nasceu e a manhã chegou. A canção termina em fade out, indicando que imageticamente ainda estará soando... Eterna.
O lugar de paz, que aqui pode-se dizer a eternidade, depois da longa noite que é viver neste mundo, é a busca, a luta e, por fim, a conquista de toda a jornada lírica do EP, e é nessa faixa que o nome “Nooma” ganha contornos grandiosos que respondem a questões centrais: o propósito da banda e o propósito do EP. Se o sopro de vida do Éden nos formou e fincou no nosso ser a existência, continuará sendo este fio que nos prende à Eternidade o motivo de nossa existência e a garantia que um dia o alívio, o bálsamo e a paz espiritual serão pra sempre.


Nota: ***** (ótimo!)

Recomendadas: "Dos montes", "Outro" e "Amanheceu". 

Ficha técnica:

Produção: Duda Andrade & Nooma

Mixagem e masterização: Bernardo Fragale

Baterias: Diego Vicente

Guitarras: Rafael Loureiro, Pablo Teixeira

Vocais: Pablo Teixeira 


Ouça você mesmo: 

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Da esquerda para a direita: Dan Rothman, Hannah Reid e Dot Major.


Lançado no dia nove de junho de 2017 pela Metal & Dust e Ministry of Sound, o segundo álbum do trio de trip-hop e indie pop London Grammar, “Truth is a Beautiful Thing”  chega ao mundo com a pretensão de contar histórias melancólicas a partir da atmosfera etérea de sonho de seus arranjos e da belíssima voz de Hannah Reid.


Contando com uma equipe grande de produtores, entre eles Tom Elmhirs, conhecido por seus trabalhos ganhadores de Grammy com artistas como Amy Winehouse, Adele e Beck, “Truth is a Beautiful Thing” apesar de longo – o álbum possui mais de uma hora de música – possui uma coesão sonora tão bem construída que faz com que o ouvinte esqueça dessa pequena falha.


Minha história com London Grammar não é tão antiga. Conheci a banda através de uma prima com a música “Strong”, um dos primeiros trabalhos do trio, e lembro perfeitamente com o quanto fui cativada por toda aquela atmosfera melancólica acompanhada de beats, enquanto a voz exótica de Hannah Reid entrava pelos meus ouvidos. Desde então, tenho guardado London Grammar no meu coração e acompanhado cada passo de Hannah, Dot Major e Daniel Rothman.


E dentro dessas andanças de fã, na madrugada do dia oito para o dia nove de junho, estava eu atenta aos lançamento do disco no spotify e, mesmo já tendo ouvido a primeira canção, “Rooting for you”, por ter sido o single, o impacto da música, executada com poucos instrumentos e quase totalmente voltada para a voz da vocalista, encheu meu peito.

Capa do disco "Truth is a Beautiful Thing" (2017).


Há, de maneira sutil na canção, uma imagem profética de toda a estrutura “narrativa” do disco: a verdade como algo dolorosamente necessário. A verdade de saber que o outro não corresponde aos seus sentimentos, mesmo quando se sabe do pouco que recebe e da solidão que um relacionamento não recíproco provoca.


A dor da rejeição continua em “Big Picture”, mas ao contrário da canção anterior, aqui há uma constatação da frieza da pessoa amada e do quanto isso afetou a voz lírica. Uma atmosfera dream pop é criada gradualmente pelos programadores e beats sutis e rufados de Dot Major, pelos efeitos reverb na voz de Hannah e a guitarra climática de Daniel Rothman, proporcionando talvez o contraste entre a letra e a música que definem o álbum: frieza e docilidade; dor e beleza.


Notas no piano Rhodes são executadas enquanto sombriamente a voz de Hannah anuncia: O sol sufoca a atmosfera/Mas estou a salvo com você longe de você/Outro incêndio através de outra porta aberta/É o que eu estou vivendo”. Estamos diante de “Wild Eyed”. A dureza de se estar solitário em um relacionamento é dramaticamente desenhada pelos arranjos climáticos dos beats e riffs em uma canção de quem sente o peso de não saber mais o que esperar quando se ama alguém, não mais o conhecendo: “oh, quais são os seus sonhos?”.


Em seguida somos apresentados a mais um single do álbum, “Oh Woman oh Man”, que tem alcançado sucesso por ser um bom exemplo do que London Grammar faz: trip-hop de primeira. A trajetória narrativa aqui, depois da frieza percebida em “Wild Eyed” ancora em uma constatação de que o outro está desistindo ao mesmo tempo que brinca com a palavra woman e a expressão oh man por serem parecidas sonoramente, para enfim questionar: você está me abandonando, mas não sou eu que escolho você? (“Woman choose your man/Do you really understand?/Do you really understand?”).


Se é sob o conceito de honestidade que esse álbum se ancora, “Hell to the liars”, com certeza, poderia ser o resumo de tudo. A honestidade não está apenas no fato de perceber que se está vivendo em relacionamentos não correspondidos e cheios de vácuos solitários, mas o de reconhecer que se existem culpados, estes fazem parte de você e de mim. Estes são você e eu.



“Hell to the liars” é talvez a música que mais me toca neste álbum. Ela resume em construção sonora e lírica todo o conceito do álbum e traz um dos melhores fins de música que já ouvi na vida. Não tem como não se sentir num sonho ouvindo toda a orquestração do trio londrino e fechar os olhos encantada(o), apesar de perceber que a letra é um verdadeiro tapa na cara.


“Everyone Else” é uma ótima construção de trip hop: beats eletrônicos em evidência misturados a riffs e efeitos programadores enquanto a voz lírica tenta lutar com sarcasmo contra a dor de ser rejeitada.


E é com beats indie pop, trip-hop e sotaque britânico que “Non Believer” inicia; sonoramente com uma atmosfera de indiferença, a canção vai se pintando ao passo que a voz lírica desabafa amargamente sobre traição e infidelidade. Um dos pontos altos é a distorção da voz que cria um clima etéreo e aparentemente monótono para endossar o sarcasmo e indiferença da voz lírica.


Sequencialmente ouvindo o álbum se percebe que há uma linha narrativa linear, desde a primeira percepção de solidão de estar a dois até a descoberta da infidelidade. Em “Bones of Ribbon” há um jogo inteligente lírico de antítese: enquanto a pessoa amada é feita de metal, a voz lírica brinca ironicamente com a expressão “ossos de fita” e, contrastantemente, em força decide que o outro deve ir, usando de sinestesia para comparar as fitas coloridas mudando a cor para descrever a si mesma em transição.


Se em “Bones of Ribbon” há a decisão de um rompimento, em “Who Am I”, uma das canções mais bonitas do disco e do ano, percebe-se a crise de identidade de alguém que esteve tanto no outro que se perdeu. A canção é triste com riffs sutis, Rhodes e a voz melancólica de Hannah, que aqui parece encarnar toda a dor de quem sofre por ver quem ama partir, enquanto questiona o que sobrou de si mesmo.


Who Am I to want you now you’re leaving/Who Am I to judge you now you’re leaving”


Estamos na faixa nove de um álbum que contém dezoito faixas, e assim se percebe que talvez a duração seja um dos únicos pontos falhos na execução da obra, já que ao ouvir pode causar a impressão de que está tudo completo em execução, arranjos e lírica, dando a entender que uma história parece ter chegado ao fim, narrativamente falando.


Mas ainda somos apresentados a “Leave the war with me”, em uma interessante performance vocal de Reid versando sobre uma possível reconciliação, apesar do entendimento de que talvez não haja mais amor na relação.


“Truth is a Beautiful Thing”, canção que carrega o título do álbum, não poderia ser diferente: poderosa, apesar de instrumentalmente simples, a canção é irmã de “Rooting for you”; trazendo elementos semelhantes sonoramente: voz potente e os pianos e programadores, a letra de “truth is a beautiful thing” dialoga com “Rooting for you” no desejo de estar com a pessoa amada, tendo uma única diferença: na primeira canção o desejo existe apesar de fisicamente o outro estar perto, enquanto nesta a saudade é literal, pois o outro não está mais perto fisicamente.

Nas duas canções o conceito de verdade é construído como o mais íntimo desejo de estar perto, de rebaixar-se a ponto de querer estar perto da pessoa amada mesmo que ela não ame de volta. Essa é a verdade almejada em Rooting for You: “E para onde ela foi?/A verdade nos deixou há muito tempo/E eu preciso dela hoje à noite pois tenho medo da solidão com você”, e saudosamente cantada em Truth is a beautiful thing: “Você pode tomar o meu lugar e ficar aqui?/Eu não acho que você levaria essa dor/Você vai ficar de joelhos e lutar sob o peso/Ah, a verdade seria uma coisa linda/Ah, a verdade é uma coisa linda”.




Em “What a Day”, os sussurros e agudos de Reid introduzem a canção enquanto beats e rufes fazem cama para um piano, enquanto há uma espécie de raiva por enxergar o relacionamento como uma mentira. Gradualmente a música vai crescendo e ganhando contornos épicos. Uma bela revolta.


“Diferent breeds” continua a linha narrativa de fim de relacionamento e nos apresenta o encontro dos dois após o rompimento. Há constrangimento, lembranças e dor enquanto a música vai sendo construída como uma boa canção pop. Possivelmente a voz lírica não esqueceu do amado. Em “Control”, no entanto, há a primeira amostra de uma superação (“E acho que isso é controle/Estar esquecendo seu nome”), com sintetizadores que lembram canções pop anos 80 e riffs envolventes.


Por ser um álbum em versão deluxe, a canção seguinte é a demo chamada “Trials” e apenas em piano, versa sobre a complexidade de enxergar o fim do relacionamento, lidar com os sentimentos remanescentes e perceber que eles não são suficientes para sustentar um relacionamento: “Quando estou com você, eu não estou sozinho/Ainda acredito que não seja suficiente”.


“May the Best (church mix)” é uma ótima canção que não deixa claro se o que está acontecendo liricamente é uma reconciliação e o medo de perder o momento em que se está junto de novo ou se é a descoberta de um novo amor juntamente com o temor de que não dê certo, mas claramente se percebe medo do relacionamento. De qualquer forma o que se percebe é que há medo de amar, e que isso implica no risco da perda.


Logo após “May the Best (church mix)”, por ser deluxe, há uma versão demo de Rooting for you, que até a este ponto parece ser a canção-chave de todo o conflito narrativo. A repetição da música dentro do repertório, se atentarmos um pouquinho mais pode significar ainda mais: rooting for you é o símbolo do círculo vicioso de alguém que não consegue esquecer aquela pessoa que tanto amou um dia.


Finalizando o disco de forma grandiosa, temos a canção “Bitter sweet Symphony” em versão live, mostrando o grande talento do trio britânico em executar suas canções ao vivo. “Bitter sweet Symphony” é uma amarga canção que conclui o círculo narrativo (e vicioso) de alguém após um trágico rompimento e que percebe que a maior dor entre todas as sentidas é a de não se reconhecer depois de tudo, é a de perceber que a vida caminha para a morte e mesmo assim não se tem uma clara ideia sobre quem se é de verdade, principalmente quando se está perdido após perder a identidade dentro de um relacionamento. “Truth is a beautiful thing” possui falhas de execução por deixar o álbum longo e talvez levar ao cansativo para alguns ouvidos (porque para mim passou rapidinho), mas consegue entregar um conceito coeso sobre o que propôs fazer. A verdade é dura de ouvir e paradoxalmente a verdade é bonita, porque dentro do contexto da narrativa apresentada, ela é o desejo mais profundo de que todo esse mar de lágrimas entre duas pessoas que um dia se amaram, nunca tivesse acontecido. Que bonita que é a verdade, e que duro de saber que ela já se foi. 


 

Destaques: Rooting for you, Hell to the liars, Who am I, Truth is a Beautiful Thing. 

 

Nota: ****** (excelente!)

Ouça você mesmo! (de preferência enquanto lê).

quarta-feira, 31 de maio de 2017




A música pop dos últimos anos tem muitos motivos para ser sinônimo de prostituição artística. Isso é perceptível quando os comentários negativos acerca de algum novo lançamento gira em torno de frases como "isso tá muito pop" ou "se vendeu ao pop" já que nós internalizamos a ideia de que esse tipo de música é uma tentativa mercadológica de estar relevante e vender mais rapidamente. A ideia da prostituição artística que a maioria tem, nasce da inversão de foco: o que antes era produzido em nome da arte, agora é em busca de dinheiro e holofote para a construção quase mítica que dita comportamento, estilo e modo de agir: o ícone pop. 
É dentro desse universo da iconicidade pop que o astro Harry Styles surge. Vindo de uma boyband (One Direction) que explodiu mundialmente pelas mãos de Simon Cowell e a visibilidade de um reality show musical, o inglês tem todos os requisitos para um popstar: jovem, bonito e carismático. E é apenas isso que importa ao mundo da iconicidade pop: o astro, não o que ele, necessariamente, produz. A música é menor que o ícone. 
Essa visão pragmática vinda da indústria musical pop e que, com razão, não é bem vista por quem defende a música como Arte e, por esta razão, suficiente, foi o que moldou os comentários maliciosos acerca do primeiro disco solo do garoto da terra da Rainha: "pra que dá valor a um menino de boyband que faz música comercial?" era a indagação de quase todos os que não eram fãs da One Direction. 
O mais surpreendente de tudo é que, consciente ou não, Styles surpreendeu a todos: fãs e haters. 



Enquanto que grande parte dos fãs (e todos os haters) esperavam uma típica continuação sonora da banda, o inglês nos entrega um material nostálgico e com raízes no rock clássico sessentista/setentista, rendendo hits que poderiam ser confundidos com alguma música da Rolling Stones. Com isso, cai abaixo o argumento de estratégia mercadológica: o som do álbum autointitulado arrisca com o carisma da base de fãs e se propõe a explorar terrenos do pop-rock oitentista ("Ever since New York"), "rock clássico("Kiwi"), country, blues/bluegrass ("Only Angel") e elementos de balada folk ("From the Dining Table"), tematizando letras que vão de desilusões amorosas até a história poderosa de uma mãe que acabara de dar a luz e morre no parto ("Sign of the times"), mostrando a vulnerabilidade  e exposição criativa do músico.  Toda surpresa gerada e repercutida com esse álbum de estreia nos leva a algumas perguntas: o que acontece quando somos confrontados com o fato de que a música pop, em sua estrutura e áurea mítica, despida do caráter mercadológico a ela empregada nos últimos anos, é na verdade o que embala os melhores momentos de nossas vidas? 
E mais ainda: o que acontece quando nos damos conta de que música de verdade pode vir dos lugares mais inesperados, como por exemplo, de um garoto de boyband descoberto em reality show? 

Harry Styles permanece um ícone pop e sua música é, em essência, popular, mas agora a preocupação não se concentra apenas em com quem ele sai ou qual seu novo corte de cabelo; agora, de verdade, paramos para ouvir o que o garoto de rostinho bonito tem a nos dizer.

NOTA: 4/5 

Ouça você mesmo:




segunda-feira, 22 de maio de 2017



Quem era da geração do emo mainstream do meio dos anos 2000 lembra da Paramore (que inclusive lançaram um disco novo no último dia 12) e toda a sua carga de pop-punk, provavelmente lembra dos irmãos Farro: Josh e Zac. Um era o guitarrista, compositor principal, arranjador e meio que o pai da banda enquanto o outro... Era o baterista (MUITO BOM!) do grupo. 
Acontece que Zac sempre fora o irmão farro ou baterista da banda da menina do cabelo laranja, nunca o mundo tinha tido a oportunidade de saber quem ele era, de fato. 
No entanto isso logo mudou quando em 2010, após uma série de desavenças internas na Paramore, Zac juntamente com seu irmão Josh, até então mais em evidência que ele, saíram da banda. 

Logo após uns anos, Zac Farro, em busca de sua própria identidade, embarcou para Nova Zelândia, onde conheceu novas pessoas, viveu outras experiências e se descobriu como compositor. Lá na Nova Zelândia, com influências de Radiohead e Sigur Rós, Zac produz seu EP auto-intitulado e logo após seu primeiro álbum: Volcano Crowe. É justamente nessa geográfica viagem que, metaforicamente, Zac encontra-se não apenas como um instrumentista, mas como um artista.
Daí em diante Zac assume uma linguagem visual que percorre em todas suas performances, clipes e músicas e essa linguagem visual é percebida em sua própria maneira de se vestir, contribuindo para algumas questões: onde começa e onde termina a performance visual da HalfNoise? 

De doloroso processo de reconstrução de si mesmo, o garoto Farro, até então apenas um ex-paramore (agora tá de volta) não apenas fez de suas rupturas, formas de amadurecer enquanto humano, reconstruindo pontes e desfazendo-se do que não lhe pertencia mais, como também construiu bases sólidas para se tornar um artista com sua própria personalidade. 


DISCOGRAFIA POR ONDEM CRONOLÓGICA:

HALFNOISE (2012)


VOLCANO CROWE (2014)



SUDDEN FEELING (2016)



THE VELVET FACE (2017) 



sexta-feira, 19 de maio de 2017



Não faz muito tempo que tomei a consciência de minha cor e do que isso representa para minha identidade. Na verdade passei anos da minha vida me entendendo como simplesmente parda, mestiça nascida do encontro de um negro com uma branca, mas só recentemente algumas perguntas vieram ecoando à mente: o que é ser parda? O que ser "parda" significa? Na verdade, o que eu sou?

Quando percebi e olhei meus traços, meu cabelo, minha cor... Entendi que não possuo as marcas estruturais dos que "venceram" no mundo, a saber, os brancos. 
Foi doloroso e ainda é sair de um estado de completa indiferença racial para uma consciência de que, sim, sou negra e de que todas as histórias terríveis que escutei sobre o sangue negro ter sido e ainda ser derramado no mundo e nesse país serem histórias sobre mim, sobre minha família, sobre gente que nem eu. 

Nasci em uma família por parte de pai, completamente negra, mas igualmente machucada por esta identidade. Meus avós cresceram ouvindo o quanto eram odiados pela cor da pele, o quanto ser negro significava ser a pior das espécies, o bicho sem alma... Por autoproteção e completa assimilação desse discurso, protegeram seus filhos, netos e bisnetos da completa reconciliação consigo mesmo através da cor. Todos da linhagem da minha família carregam a cor, mas é doloroso, difícil, quase intragável de engolir o que isso representa para suas identidades. Cresci nesse meio. 

Dear White People série original da Netflix levanta questões que mexem profundamente comigo, justamente por tocar nas bases estruturais de minha família e, consequentemente, de minha identidade ainda em construção. 

A série aborda o racismo explícito e velado dentro de uma universidade de maioria branca e como cada pessoa negra resiste, sobrevive e se constrói apesar de viver em um mundo tão hostil. Cada episódio conta a história de uma dessas pessoas com todas as suas camadas de experiência, entrando questões de auto-estima, colorismo, gênero, religião, violência policial e, talvez, principalmente o racismo velado de brancos numa era ilusoriamente "pós-racial". 

Apesar de, em termos de qualidade artística eu ter torcido o nariz e de esse ser um dos motivos pelos quais alguns dizem não ter gostado da série, por que será que mesmo com os mesmos problemas, 13 Reasons Why conseguiu chamar tanto a atenção das pessoas? Por que será que mesmo antes da estreia, o teaser recebeu tantas negativações? Que era "pós-racial" é essa que nos encontramos tão cheia de medo de ouvir sobre o sofrimento real de milhares de pessoas no mundo? 

Talvez você que está lendo não tenha nascido dentro desse universo, não tenha sentido literalmente na pele o que é ser reduzido de sua humanidade, talvez não tenha ideia do que é se sentir feio por não estar dentro do padrão de beleza ou desde criança ter se sentido menos livre que os outros por não poder usar boné em estabelecimentos para não ser "confundido" com um bandido...

Dear White People não é fácil de assistir, não é fácil de assimilar, não é fácil de gostar, sobretudo se quem assiste sente-se embaraçado por se enquadrar nos personagens racistas da série. 

Portanto, abro espaço nesse blog para convidar você, caro amigo preto e, principalmente, caro amigo branco, para se identificar, dolorosamente ou não com esta história. 

quinta-feira, 18 de maio de 2017


Ás vezes a arte é em si mesma ambígua, digo isso porque o modo artístico parece algo que mora numa constante tensão entre querer falar e o medo de se expressar.
Pensando nesse jogo de opostos, somos convidados a entrar no quarto de Rodrigo Teles, ou melhor, Telwa e, por vezes, de maneira constrangida, ouvir seus relatos de exposição e medo por ser ouvido.
“Quarto” possui sete faixas gravadas de forma caseira, o que dá ao EP um selo l0-fi, e faz ainda mais: aprofunda o aspecto de vulnerabilidade emocional e imersão no conceito da obra, que é a de nos fazer entrar no mundo do artista; isso é sentido não apenas pelas letras e arranhões em cordas de violão, mas até nas aparentes fendas abertas como a voz rouca e às vezes sem força, os arranjos violentos de guitarra com acordes quebrando o padrão, ou o som de notificação do celular no meio de uma das canções. Tudo é vulnerável em quarto e, definitivamente, não dá para ouvir sem sentir, de fato, como se estivesse ao lado do músico, ouvindo suas histórias.
Medo, a primeira canção não poderia estar em outro lugar dentro da sequência por apresentar conceitualmente o que estamos prestes a ouvir: o medo de crescer.
Entre sussurros e arranjos de violão, há honestidade em admitir a vontade de entrar no quarto, seu mundo, e ali continuar por não se sentir pertencido em nenhum outro lugar.
O medo do que está lá fora, porém, nasce do que já ocorre dentro, como se percebe ao ouvir “argila”, canção que exprime a analogia entre a argila, pesada e a folha, leve. O que se faz quando se é folha de argila que quer voar, mas sente-se pesado? O medo de sair do quarto é a percepção de que não tem forças para sair.
As imagens construídas ao longo da narrativa do artista nos fazem perceber essa constante busca por ser livre quando se tem medo do que tem lá fora. Ainda nessa linha de pensamento, “Abriu” surge com a metáfora do corpo que só cresce na dor, para obviamente falar sobre aceitar o processo doloroso de amadurecer.
Logo em seguida somos presenteados (sim, PRESENTEADOS) com “Prece” que é, para mim uma das mais bonitas canções do EP, se não a melhor. “Prece” é a canção mais bem construída da obra em todos os aspectos: possui arranjos belíssimos de violão, percussão e de brinde ganhamos um som de chuva como que fazendo parte do universo musical.
“Prece” é um pedido cansado e melancólico de catarse (conceito grego sobre tragédia, em que o objetivo das tragédias eram a de extravasar todas as emoções de forma explosiva), aqui percebe-se a vontade de vomitar todas as dores acumuladas, para enfim se ver livre. Porém, o preço que se paga é o de reviver as dores ao colocá-las para fora.
E por esta razão que a chuva que “desafoga” em “Prece” inicia “Agente junto”, porque aqui há uma confissão banhada por lindos arranjos de violão, do que já se viveu, e reviver é parte de crescer, mesmo que doa.
“Se”, diferente dos arranjos frescos de violão de nylon, inicia com o distorcido de uma guitarra elétrica fazendo acordes dedilhados, versando acerca das tensões de se enxergar em tempos difíceis e acreditar, baseado na fé, que as coisas podem melhorar. A música aos poucos vai crescendo e torna-se grandiosa, quase como um grito. “Se” é desespero por respostas. Catarse pura.
Desse desespero causado pelos medos iniciais somado à poucas luzes de esperança, desaguamos na última  canção do EP, uma das mais incríveis e bonitas da obra toda: “Acordar”.
Diante de toda a narrativa que vai do medo do desconhecido até a conformidade em aceitar as dores como processo de crescimento, nos deparamos com uma aparente disposição de “sair” do quarto existencial do músico. A madrugada passa e o dia avisa novas oportunidades. A vontade é aparente porque, o que se admite é que o lar, o lugar de pertencimento nunca existirá, como explicado nas letras a seguir: “da cama, o parente mais chegado foi o ventre da minha mãe/ às vezes faz pensar/que falta pra sair de lá/ eu vou voltar pra mim/eu vou voltar pra lá”.
Apesar da tensão constante, da vontade de fugir dos lugares em que a alma não comporta, a voz lírica nos confirma em grito de esperança “eu não posso correrr pra sempre”, enquanto a música ganha contornos de grandiosidade com violões em guitarras, que o sol pode estar nascendo dentro dos lugares escuros do quarto do Telwa.

Ao sair do “Quarto”, depois de nos enxergamos como confidentes de questionamentos dolorosos e existenciais de Telwa, percebemos que o que foi expresso em contornos de vulnerabilidade pelo baiano são verdades embaraçadas não apenas por ser de outro alguém, mas por serem muito familiares a nós. Talvez a maior surpresa desse conceito artístico de exposição é que em arte sempre podemos ser lidos. Talvez, por essa razão, ao entramos no quarto de Telwa, tenhamos percebido que também estamos nos nossos.

NOTA:  3,8/5



Confere aí: 

quinta-feira, 11 de maio de 2017




Nos anos 2005-2009 o movimento mainstream do emo explodiu dentro do cenário da música norte-americana  trazendo à tona bandas de som pesado, na maioria das vezes pop-punk com letras de alto teor emocional. Dentre essas bandas, uma se destacou por ter como vocalista uma garota jovem de cabelos coloridos. Rapidamente o que poderia ser apenas uma curiosidade provocada pelo machismo no meio musical, principalmente no segmento do pop-punk, tornou-se um grande sucesso comercial. Começava o sucesso da Paramore. 
Dentre altos e baixos, discussões internas, separações e hits emplacados, o grupo lançou quatro álbuns de sucesso, dentre os quais, o Paramore (2013) conseguiu alcançar o êxito de ganhar um Grammy de melhor música de rock por "Ain't fun" e já mostrava musicalmente um parcial distanciamento do som que fez da banda conhecida. 

Após mais alguns desentendimentos e um quase rompimento total da banda devido a uma crise interna causada pela saída nada amigável do baixista da banda Jeremy Davis, Paramore ressurge das cinzas com uma nova formação, agora com a volta do Zac Farro, membro e co-fundador da banda, trazendo um novo álbum lançado mundialmente hoje, o "After Laughter".

Mesmo para quem escutou o "Paramore" (2013), "After Laughter" causa estranhamento. Enquanto que no álbum auto-intitulado percebemos um momento de transição da banda, momento este em que o pop é mais evidenciado, é em "After Laughter" que a banda abraça o universo pop de vez, deixando de forma quase abrupta o pop-punk que um dia os caracterizou. 

"After Laughter" é, antes de tudo, um álbum que mora nos contrastes. A começar pelo título, que em tradução livre seria "Depois da risada", o álbum se propõe a questionar sobre o que acontece em nosso rosto quando paramos de rir. O que acontece quando nos damos conta que os tempos bons já se foram?



Enquanto que sonoramente há uma aparente alegria causada pelos elementos de funk, pop e indie 80's na maioria das músicas, as letras evidenciam tristeza, ceticismo e desesperança quanto aos relacionamentos e o mundo, influenciados diretamente da depressão que Hayley Williams, vocalista e principal compositora, luta contra. 

"Hard times" abre o disco alegremente com uma sonoridade funk-pop 80's, apesar de contar um aviso de toda a lírica do disco: "crescemos e estamos diante de obstáculos difíceis, o que fazer a não ser aceitar a dor e vivê-la?".
"Rose colored-boy" talvez seja uma das que mais incomodaram as pessoas pela total desconexão sonora com o legado da banda, porque o que ouvimos logo nos segundos iniciais soa quase como alguma canção da Cindy Lauper, o que, particularmente eu adorei (apesar de relutar no começo, admito.). A letra aborda alguém cansado de ser otimista, mesmo que admitindo que gostaria muito de voltar a acreditar num mundo bom. 
"Told you so" seguindo a linha musical das demais: linhas de baixo de funk em evidência e pequenos arranjos de guitarras com reverb, temos a interpretação nas partes altas que podem causar saudades das explosões de raiva em hits como "Ignorance", por exemplo.
"Forgiveness" é uma das grandes canções do disco, na minha opinião. Abordando a dificuldade de perdoar e tendo consciência dessa dificuldade (provavelmente inspirado na confusão que causou a saída de Jeremy, que era um dos melhores amigos de Williams, inclusive), a canção traz uma espécie de balada pop com elementos que causam balanceamento por sintetizadores e guitarras com efeitos reverb (que são características de bandas como The Smiths e The Cure). 
Logo a seguir vem outra grande canção do disco, inclusive preferida de muita gente, "Fake Happy". A canção inicia dando impressão de ser uma balada lenta, mas volta ao pop-rock e pop oitocentista, com elementos (principalmente no baixo) de funk-pop. A letra aborda a facilidade de fingir estar feliz e sorrir para manter a imagem. 
"26" é uma das minhas preferidas por diversas razões: por quebrar com a linha sonora do álbum; por ser uma balada com violões, o que pode lembrar a linda "Misguided Ghosts" do álbum "Brand New Eyes"; por conter arranjos de cordas e lira; por último, por possuir uma letra incrível, abordando sobre o doloroso processo de crescer e se deparar com o fato de que a realidade não é tão boa quanto parece. 

Logo após , temos a incrível"Pool", composição de Williams, York e Zac. O ar juvenil, alegre e que pode soar melodicamente com músicas pop anos 90 ou com o próprio Paramore no começo da carreira, traz uma letra que fala sobre o medo de mergulhar em relacionamentos depois de tantas decepções. 

Enquanto que em Forgiveness há um relato de dificuldade em perdoar, em "Grudges", composição de Williams, York e Farro, os muros são quebrados, o ar passa ser menos denso por mostrar uma reconciliação entre amigos que se perdoaram e querem retomar de onde pararam, apesar de reconhecerem que agora tem de conviver com o fato de que não são mais os mesmos (talvez uma referência à reconciliação ocorrida entre Zac, Taylor e Hayley,):
 "Cause we can't keep holding on to grudges" (porque não se pode continuar guardando rancores).
A faixa é iniciada com sintetizadores e depois abre para um indie delicioso que pode soar como alguma da Phoenix ou com o retrô da Taking Heads.

"Caught in the middle" é uma canção honesta sobre não se enxergar tão jovem, mas ter dificuldades de se encontrar no que chamam de vida adulta. Um pop com bons arranjos de guitarra e contrabaixo, apesar de não ter chamado tanto minha atenção. 

"Idle Worship" tem toques de indie-pop com uma interpretação "raivosa" de Williams (característica que a marcou), com certeza vai ser uma das melhores executadas ao vivo por sua energia. Soa como uma denúncia aos que se decepcionam por esperar de nós algo além do que somos, como a própria letra diz: "Oh, it's  such a long and awful lonely fall/ down from this pedestal that you keep putting me on/What if I fall on my face?/What if I make a mistake?" (Oh, é uma longa e terrível queda solitária/ daqui desse pedestal que você continua me colocando/ E se eu cair de cara?/ E se eu cometer um erro?). 

"No Friend" 
com certeza é a canção mais "difícil" do álbum, é completamente cantada pelo Aaron Weiss, vocalista da banda de rock experimental MewithoutYou e carrega muitas características dessa banda. Apesar de instrumentalmente ser incrível, trazer um aspecto sombrio interessante e possuir uma letra quase apocalíptica parecida com "Idle worship" (pelo que consegui captar), com certeza é a uma das poucas que não gostei por não sentir identificação pessoal e por achar incoerente quanto ao álbum.

Finalizando com chave de ouro, temos uma das melhores músicas do álbum, se não a melhor: "Tell me How". A canção é uma balada triste que continua com a carga emotiva lírica do disco sobre a dificuldade de perdoar, mesmo amando, a vontade de reconstruir pontes demolidas e a consciência do quanto que isso é difícil quando os corações estão cansados de recomeçar. É, definitivamente, uma canção dolorosa. (para quem entende a história da banda, é mais uma canção pessoal que provavelmente fala sobre os sentimentos da vocalista diante do rompimento com seu ex-melhor amigo Jeremy Davis).

"After Laughter" é um álbum que provavelmente trará muitas opiniões divididas quanto à coerência e identidade da Paramore diante de tantas mudanças musicais, internas e pessoais. Talvez a grande proposta seja exatamente a de, honestamente, levantar a questão sobre quem eles são enquanto músicos e fazer dos ouvintes co-participantes dessa redescoberta. 
Ainda dentro do álbum, pessoalmente senti falta de mais peso de guitarras, de mais progressão em algumas músicas e um certo desconforto da própria Hayley Williams diante de uma proposta musical diferente da que sua voz parece ser feita para cantar. É contraditório termos letras tão pesadas sobre o medo de envelhecer, ceticismo quanto às relações humanas, conformidade com a dor ao mesmo tempo em que também temos melodias alegres e arranjos dançantes, mas talvez, ao mesmo tempo o título do álbum seja uma tentativa de resposta a essas questões: o que vem depois do sorriso? Como explicar momentos tão próximos e ao mesmo tão distantes como o sorriso e a nossa expressão "after laufhter" em que percebemos que o tempo de sorrir acabou? 
Sim, "After laughter" vai dividir opiniões, vai causar desconforto nos que ouvem Paramore desde os primórdios, vai ser confundido como uma mistura de referências retrôs, mas também poderá ser visto como uma tentativa ousada e corajosa de se assumir como uma banda de pessoas que ainda estão buscando suas identidades e dentro de todo esse processo, nos convidam para crescermos juntamente com eles, e quando pensamos dessa forma, desde 2005, nos vemos acompanhando essa jornada. 


Destaques: "26", "Fake Happy", "Pool", "Grudges" e "Tell me How".  


Nota: 4/5 

Ouça você mesmo e tire suas conclusões: